Compacto 5 de 8
Larry Hans
A-QUI
A encomenda
A Zarza Radio transmite em oito idiomas e encomendou uma faixa para cada um. Não se tratava de fazer o mínimo possível, e sim de fazer tudo com excelência: por isso são oito canções que se sustentam sozinhas, com a mesma produção e a mesma masterização de qualquer outra coisa assinada por este artista. Zarza Radio.
Em brasileiro, não em português de Lisboa. «Tocar» é exatamente o que uma rádio faz no Brasil («essa rádio toca tudo») e também tocar com as mãos: o título acaricia. Ela rima em -ou (ligou, voltou, bloqueou, coroou) e a rádio em -i. O remate local é uma joia: «até a dor sambou». Num país onde a dor se dança, essa linha faz o trabalho de um parágrafo.
A letra fica no idioma da faixa e não é traduzida: é a obra.
(Ela se foi e não ligou)
num voo sem volta que nunca retornou;
mudou de país e de idioma pra esquecer a minha voz,
apagou todas as fotos... e me bloqueou!
Diz que não me escuta mais, que a página virou;
que foi tudo muito gostoso... mas que já acabou...
botou a rádio em francês... e em francês eu canto — falhou;
desligou, ligou de novo... e a minha voz voltou.
Má ideia fugir pra um mundo que só me tocou:
zarza ponto com — o mundo toca aqui.
E onde dança o mundo? (AQUI!)
E onde dança ela? (AQUI!)
E onde toca o mundo? (A-QUI!)
A-QUI... A-QUI... ZARZA RADIO!
A-QUI... A-QUI... O mundo toca aqui!
(DeeJay, DJ, DeeJay!)
Amanhece em Tóquio e ela não consegue dormir,
liga a rádio em japonês... e me escuta sorrir;
no Rio desce pra praia pra me tirar dali,
e a praia inteira canta: o mundo toca aqui!
Em Berlim ela pede um som pra conseguir sentir,
e o DJ solta justo o que ela quis proibir; (DeeJay, DJ, DeeJay!)
oito línguas estudou pra poder me resistir:
zarza ponto com — o mundo toca aqui.
O MUNDO TOCA AQUI! (onde?)
O MUNDO TOCA AQUI! (é aqui!)
Oito idiomas pra ti,
Zarza Radio: o mundo toca aqui.
Eu não fui atrás dela: a rádio a encontrou,
aperte onde apertar... é a minha voz que tocou;
me ligou de madrugada e ninguém atendeu — falhou:
eu tava ao vivo pro planeta... que ela mesma me entregou.
Me trocou pelo mundo inteiro... e o mundo me coroou,
esse hit é minha vergonha: onde ela for, chegou;
não choro, eu celebro — até a dor sambou:
pelos beijos que eu dei... e pelos que ela deixou.
(Como ela é?)
INTERNACIONAL! (quem?)
INTERNACIONAL! (ela!)
Foi jantar com outros por aí:
onde toca Zarza Radio... minha Ex…
(«nem lembra de mim»… sei!)
E se você tá ouvindo isso... em Tóquio ou Paris,
relaxa... não é pra ti... (bom... é sim).
Você quis um mundo sem mim... e o mundo disse não:
nos seus oito idiomas novos... toco eu...
(eu... eu... aqui...)
(DeeJay, DJ, DeeJay!)
Oh-oh-oh-oh! (Zarza!)
Oh-oh-oh-oh! (Radio!)
Oh-oh-oh-oh! (o mundo inteiro!)
(DeeJay, DJ, DeeJay!)
Hola! Hello! Bonjour! Olá!
Ciao! Hallo! Konnichiwa! Marhaba!
(é assim que se diz «olá»... em todo lugar onde você vai me ouvir)
E onde dança o mundo? (AQUI!)
E onde dança ela? (AQUI!)
E onde toca o mundo? (A-QUI!)
(ela sempre foi a mais bela...)
A-QUI... A-QUI... ZARZA RADIO!
A-QUI... A-QUI... O mundo toca aqui!
O MUNDO TOCA AQUI! (onde?)
O MUNDO TOCA AQUI! (é aqui!)
INTERNACIONAL! (ela!)
Zarza Radio: o mundo toca aqui.
Última ligação da noite,
cabine da Zarza Radio,
disse: «tô ligando de Paris...
coloca aquela música... do que não me esquece,
o que canta em oito idiomas?»
Reconheci na hora...
E sabem o que eu fiz? (Play, Play, Play)
Dei o play!
Vai dedicada, meu amor:
zarza ponto com...
o mundo toca aqui!
(e você... já sabia)
Escrita, interpretada e produzida por Larry Hans
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Uma página para imprimir: a letra inteira em papel osso, com as cores desta faixa e a assinatura do autor.
Baixar a folhaO que mais se pergunta sobre esta página. Se faltar alguma coisa, é só escrever para o e-mail no rodapé.
Brasileiro, e dá para notar em cada verso. O vocabulário é de quebrada, com “curtir” e o ritmo da fala carioca. Em português de Lisboa a canção existiria igual e soaria a outra pessoa.
Porque no Brasil “tocar” é exatamente o que uma rádio faz: “essa rádio toca tudo”. E também tocar com as mãos, então o título acaricia enquanto soa. É o mesmo tipo de duplo sentido que o inglês encontrou com “play”.
“Até a dor sambou”. Num país onde a dor se dança, essa linha faz o trabalho de um parágrafo inteiro e resume a faixa melhor do que qualquer explicação.
Ela em -ou (ligou, voltou, bloqueou, coroou) e a rádio em -i. A terminação -ou é o passado brasileiro por excelência: cada coisa que ela fez fica fechada pelo próprio som.
Quatro minutos e cinquenta e três segundos, e está registrada como Dance, igual às outras sete: compartilham produção, andamento de 126 e estrutura.
No Spotify, na Apple Music e nas demais lojas digitais. O player desta página abre a faixa sem sair do site, e a letra completa está abaixo.
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